O uso da inteligência artificial como instrumento de efetividade e desjudicialização do Cadastro Ambiental Rural

Autores

  • Julia Mattei de Oliveira Maciel Universidade de Fortaleza (Unifor)
  • Juliana Soares Monteiro Universidade de Fortaleza (Unifor)
  • Maryane Hasse de Andrade Figueira Universidade de Fortaleza (Unifor)

Palavras-chave:

Cadastro Ambiental Rural, Inteligência Artificial, Judicialização Ambiental, Geo-algoritmo, Subordinação Tecnológica

Resumo

O presente trabalho analisa a aplicação da Inteligência Artificial (IA) como instrumento de efetividade do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de apoio à atuação do Poder Judiciário em litígios ambientais. Embora o CAR tenha sido instituído pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) como mecanismo de controle e monitoramento territorial, sua implementação enfrenta entraves estruturais e operacionais que comprometem sua efetividade, refletindo-se em crescente judicialização decorrente da morosidade na validação cartográfica. Diante desse cenário, propõe-se o desenvolvimento de um Geo-Algoritmo Nacional, baseado em técnicas de IA e sensoriamento remoto, capaz de automatizar a análise de conformidade das propriedades rurais, reduzir o tempo de validação e gerar maior segurança jurídica. A metodologia adotada é bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa e método hipotético-dedutivo, partindo da hipótese de que a aplicação da IA pode minimizar a ineficácia prática do CAR e otimizar a produção de provas técnicas no processo judicial. Fundamenta-se na teoria da soberania tecnológica (Dagnino, 2018), nas diretrizes de governança ética e supervisão humana da IA (CNJ, Resolução nº 615/2025) e nas reflexões de Stuart Russell (2019) sobre o controle humano das máquinas. Conclui-se que a adoção de soluções algorítmicas sob governança nacional fortalece a efetividade do Direito Ambiental, reduz a judicialização e oferece suporte técnico-científico ao Poder Judiciário, alinhando-se à função pública da tecnologia e ao princípio da eficiência processual.

Biografia do Autor

Julia Mattei de Oliveira Maciel, Universidade de Fortaleza (Unifor)

Doutora em Direito Ambiental Tributário pela Universidade de Colônia, Alemanha. Professora do Mestrado Profissional em Direito e Gestão de Conflitos na Universidade de Fortaleza (UNIFOR).

Juliana Soares Monteiro, Universidade de Fortaleza (Unifor)

Mestre em Gestão de Negócios Turísticos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Professora da graduação em Direito da UNIFOR.

Maryane Hasse de Andrade Figueira, Universidade de Fortaleza (Unifor)

Graduanda em Direito pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Monitora do Programa de Monitoria Voluntária da UNIFOR.

Referências

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RUSSELL, Stuart. Human Compatible: Artificial Intelligence and the Problem of Control. Nova Iorque: Viking, 2019.

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Publicado

2025-10-29

Como Citar

Mattei de Oliveira Maciel, J., Soares Monteiro, J., & Hasse de Andrade Figueira, M. (2025). O uso da inteligência artificial como instrumento de efetividade e desjudicialização do Cadastro Ambiental Rural. Revista Brasileira De Inteligência Artificial E Direito - RBIAD, 6(2). Recuperado de https://rbiad.com.br/rbiad/article/view/161